No dia 10 de Maio, pelas 21:30, decorrerá uma sessão intitulada de “O Papel dos Pais na Formação Desportiva da Criança e do Jovem”.
Trata-se de mais uma iniciativa inserida no Plano de Formação dos Agentes Desportivos para o presente ano.
Esta acção destina-se aos pais e encarregados de educação e pretende sensibilizar para o seu papel no processo de formação desportiva.
A sessão será orientada pelo Dr. Rui Gomes, docente da Escola de Psicologia da Universidade do Minho.
As inscrições deverão ser dirigidas ao SF Desporto da Câmara Municipal de Esposende
Achamos importante a presença de todos os pais dos nossos atletas .
Para Refletir:
"Nós, que durante tantos anos trabalhamos no futebol de formação, várias vezes nos vimos confrontados com casos típicos de pais problemáticos que, na ânsia de ajudarem os filhos, quase se tornam inimigos dos treinadores. Há jovens atletas, cheios de talento, que ficam pelo caminho por não suportarem a pressão e as várias atitudes negativas dos pais.
É com relativa facilidade que encontramos vários tipos de pais que de tal forma interferem na personalidade desportiva do filho que este, ao não ver cumpridas as metas impostas por eles, opta pelo abandono da prática desportiva. Há pais que geralmente nunca estão de acordo com as decisões dos árbitros e dos treinadores, e dificilmente apoiam a equipa optando por , unicamente, apoiar o seu filho. São os pais fanáticos. Encontramos pais que costumam gritar e insultar árbitros, jogadores e treinadores com uns pulmões fora do comum. São pouco pacientes, escutam poucas vezes os outros e nunca estão dispostos a mudar. Os que fazem isto perto do banco de suplentes são os piores, pois o jovem filho sente-se humilhado ao ouvi-lo vociferar.
E aqueles pais que se colocam estrategicamente junto à linha lateral, enquanto o filho joga? Que dispõem de umas enormes cordas vocais e de um código de sinais para indicar a táctica a seguir em cada momento do jogo? Estes ficam furiosos quando o seu filho, para poder seguir a táctica do treinador, não liga às suas instruções. Critica abertamente os árbitros, diverge do treinador e discute com os directores que não concordam que o seu filho é o melhor e que, por exemplo, é ele que tem de marcar os livres todos. Quando o filho chega a casa, começa a segunda parte do jogo. Os pais treinadores sem titulação deveriam tomar consciência de 3 consequências que gera a sua conduta:
- O seu filho perde concentração, porque sente ter de se preocupar mais com as suas instruções do que propriamente com o andamento do jogo;
- O seu filho fica nervoso. Sabe que se não jogar ao gosto do pai tem medo de o perder e, logo que chegue a casa, tem certeza de ouvir bronca da grossa;
- O seu filho fica confundido, ao entrar em contradição com as instruções do pai e a táctica do treinador.
E, verdade seja dita, existem pais bem orientados psicologicamente, que confiavam na preparação e conhecimentos do treinador e demonstravam autocontrolo, reforçavam o esforço, a progressão e apoiavam nos momentos difíceis. Cediam o seu filho ao treinador e aceitavam que parte da admiração que o seu filho lhes destinava passasse para o treinador, não se mostrando competitivos com seus filhos e não comparando as vitórias deles com as pequenas guerras de quando jogava futebol. Davam importância ao esforço, à progressão e ao desfrutar jogando. Quando não viam o jogo, mal o filho chegava a casa a primeira pergunta que faziam era: Então! Correu tudo bem?
A todos os pais dizemos que as suas responsabilidades começam por:
- Facilitar a assistência e as deslocações;
- Evitar paralelismos com o desporto profissional;
- Facilitar o trabalho do treinador (não interferir nem tentar substitui-lo, não criticar diante dos jovens e dos outros pais; não provocar situações em que obrigue o seu filho a decidir entre os critérios do treinador ou do pai; evitar-lhe situações embaraçosas quando se encontra entre pessoas que aprecia; trocar opiniões - nunca técnicas - com o treinador, mas em momento e lugar adequados);
- Aceitar os êxitos e fracassos desportivos dos seus filhos, nunca considerando uma derrota como sendo um fracasso;
- Aceitar os acertos e os erros como parte do processo formativo;
- Ajudar os jovens a tomar as suas próprias decisões. Facilitar que os filhos tomem decisões em função dos seus objectivos e expectativas desportivas e aconselhados por quem entende de verdade e quem de verdade pode facilitar a sua progressão desportiva e futuro;
- Propiciar o compromisso e a responsabilidade ante as suas decisões;
- Interessar-se pela actividade desportiva do seu filho de uma maneira razoável. Não é aconselhável ignorar a prática desportiva nem pressionar em excesso;
- Ser um modelo de comportamento em treinos e jogos. A imitação é um mecanismo de aprendizagem muito potente. Em muitas ocasiões, a forma como nos comportamos, é mais eficaz que as explicações ou instruções;
- Respeitar os árbitros, os adversários e os colegas dos nossos filhos;
- Exigir e propiciar uma comunicação fluida entre pais, dirigentes e treinadores. Fomentar uma disposição positiva de entendimento.
Vivam cada momento da vida com os vossos filhos e nunca dêem o tempo por perdido aquando o acompanhamento aos jogos!!!